Poentes e Auroras



(Arte por Valerio Oddis Jr)


   Um dos principais conceitos por trás da série da Trissência é o da interdependência. Na filosofia da série, a realidade é repleta de conexões, nada está realmente separado, a não ser quando os indivíduos criam a separação, e isso transparece na estrutura dos livros. Em O Elo, por exemplo, não é por acaso que o Prólogo se chama Poentes e Auroras. Neste, cada encerramento preanuncia a parte seguinte.

   Observemos o início da obra, com a presença de uma densa neblina no Prelúdio, que faz desaparecer um misterioso mago-guerreiro: (…) num instante desapareceu, envolto por uma neblina desbotada, malcheirosa e repleta de gafanhotos barulhentos (...)

   No princípio do Prólogo, uma outra névoa é dissolvida, e em contraste com o fim do Prelúdio não fará alguém desaparecer e sim revelará o mago-vidente Tirésias: A luminosidade fulgurante do sol penetrou na névoa cinzenta e foi dissolvendo-a, degrau por degrau. As ondas se acalmaram. A água, antes turva, tornou-se um espelho para o céu, sendo o reflexo, no qual o astro-rei se derretia no azul sem uma materialidade grosseira, muito mais uno e maleável do que o original.
   Algo que a neblina antes ocultava assomou à luz do dia: um barco espelhado do formato de uma espécie de esfinge, corpo de leão, asas de pássaro e cabeça de mulher, constituído por milhares de cristais de tamanhos e brilhos diferentes. Na superfície de cada cristal, viam-se refletidos, de diversas maneiras, o céu e o sol: esticados, compactos, achatados, distantes e colados. Contudo, o verdadeiro céu ensolarado, como seu tripulante solitário bem sabia, era um só, embora não pudesse enxergá-lo com os olhos.

   No pôr do sol na ilha de Himavat, ocorrem imagens relacionadas ao fogo e o anúncio da noite: (…) os raios do dia começavam a enrubescer. Um fogaréu descia sobre o mar que circundava a ilha de Himavat, sem feri-lo e sem se apagar; um fogo fúlgido, decorrente das centelhas que pipocavam da boca da Deusa enquanto esta engolia seu ovo dourado. O vermelho chamuscado prevaleceria até que a refeição e o parto divinos fossem consumados; e dentro em breve subiria uma ingrata fumaça escura, que limitaria as faíscas que a originaram a fugidios pontinhos brilhantes na imensa barriga em forma de gruta.

   Na parte seguinte, no início da descrição da batalha de Gayomard, a noite e o fogo estão presentes: Rangendo e agitando-se obliquamente contra o céu de uma noite abafada de verão, mais do que em rubro as chamas que devoravam o maciço castelo de Gayomard exibiam sua fúria em púrpura, com algumas modestas ranhuras em vermelho. Da maneira como surgiam, atravessando e devorando cada porta e janela e pululando das cúpulas esféricas estilhaçadas das torres, parecia até um vazamento: um vazamento crepitante. E, junto com a névoa e os pilares pouco tênues de fumaça, vinham cinzas e faíscas aos milhões, dançando lugubremente à luz dum tétrico luar (foice sorrateira que ceifava as estrelas, disfarçada entre as brumas fétidas) e encobrindo as torres cilíndricas, nos topos circulares das quais se acumulavam monturos de cadáveres.

   Quando Erik é preso, ficam em destaque o estrondo da porta da cela ao bater, a queda de uma caveira e retornam imagens relacionadas à aurora, a um renascimento, embora pareça o fim do protagonista: Jogado e trancafiado em uma cela inóspita, vislumbrou com imprecisão alguns insetos mortos e pedaços de cadáveres e esqueletos humanos e deduziu que estava vazia de vivos. A porta foi batida com força; menos mal que voltava a ouvir! (...)
   Um crânio humano repleto de teias de aranha rolou do parapeito da janela da cela e caiu no chão imundo, ao lado do rosto de Erik, que, mesmo sem forças para se levantar, entreviu os raios rubros da aurora se desvencilhado das barras metálicas da janela, dissolvendo uma pequena percentual da neblina de sua visão e avermelhando as órbitas vazias da caveira. Fechou os olhos, incomodado pela frágil luminosidade. Ao reabri-los e desviar a atenção do crânio, tateou em busca da sua espada. Emitiu um gemido. Passeou os dedos pelo chão sujo e frio. Teriam roubado até a sua espada? Vira-a nas mãos de outro e na hora não tivera forças para nada; agora pensava na lâmina, até que sentiu o metal gelado embaixo; sob seu ventre.
   (…) Parecia ser tarde demais para renunciar ao pacto: redespencou com a lâmina encravada, as reflexões interrompidas e o rosto contorcido, sem mais esperanças de aurora.
   As grades bateram de novo.

   Em seguida à aparente ruína de Erik, Aido surge na floresta de Kokoro, onde cai uma maçã, vermelha como a cor da aurora, mas símbolo de vida e não de morte como a caveira, afinal possui também a cor do sangue. A queda da fruta ocorre sem estrondo, com suavidade, em contraste com a batida da porta da cela na masmorra onde Erik foi jogado: Uma maçã acabava de cair da árvore. Uma fruta formosa e desinibida, derrubada na grama pelo vento, ou então por algum pequeno animal incauto.

   A senhora Tramonti, empregada de Sofia, possui um nome que é uma referência à palavra italiana tramonto, que significa “pôr do sol”.

   A simbologia de Poentes e Auroras está portanto relacionada às alternâncias e correspondências da vida.

   E há diversas outras para o leitor descobrir no decorrer da obra. Nenhum dos elos de nossa corrente é fruto do acaso.

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A Chave da Harmonia

Elfa guerreira, por Giulianna Seabra 


  Obra: A Chave da Harmonia. 

   Autor: Marcello Salvaggio.

  Sinopse: Na concepção de nossas histórias, os seres que conhecemos como elfos constituíram uma humanidade anterior à nossa. E nesta obra, parte da série da Trissência, são narrados seus últimos anos no planeta Terra, antes de se tornarem seres ascensionados e rumarem para um outro universo.

   O protagonista, o príncipe Odin de Tudnan, passará da aventura à Iniciação.

   Destaque também para a Ordem de Disirah, uma irmandade guerreira formada exclusivamente por elfas, da qual fazem parte as protagonistas Eluen, a amada de Odin, e Vanadis de Vanis, sua líder, de importância vital na Transição ao interagir com os elementais que se encontram além dos planos da Forma.

   Na busca pela Harmonia com a Natureza, terão pela frente a oposição da maioria dos demônios gahinims e o auxílio de anjos, gárgulas e dos kumaras, os guardiões da Chama de Vênus, presenciando o surgimento de um perigoso princípio oculto...


  Seguem esclarecimentos e versões virtuais dos livros que compõem esta saga:


http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5223789

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/3015577

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5422665

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5423447



  Para adquirir os livros:

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Trecho - Kalki


  Ia se preparar para o seu ritual, após tomar o devido banho contra as impurezas da alma e do corpo; notara diferenças também no fluir da água, povoada por milhões de pequeninas estrelas, imperceptíveis aos olhos do homem comum: os cristais d’água, que respondiam à sua vibração com delicadas e brilhantes formas geométricas transparentes. Poderia ficar a tarde inteira sentindo a água por sua pele em complemento à água de dentro de seu corpo, a admirar a formação de um conjunto líquido harmonioso e dinâmico, mas tinha deveres maiores a cumprir consigo mesmo.
  Contudo, assim que entrou em sua sala, sentiu um misto de susto e contentamento: o primeiro porque não era nada comum ver alguém sentado no sofá de sua sala sem que fosse ele mesmo, além do fato de ninguém ter batido à porta, por mais que o imprevisto de certas visitas não fosse tanto; o segundo porque não precisaria realizar nenhuma cerimônia, aparentemente, para ficar na presença de seu anjo da guarda, que já se encontrava ali. Dividiu-se em dois por um instante, porém logo percebeu a junção entre seus eus partidos e aprumou-se.
- Olá, precioso amigo.- Os raios do sol poente entravam no lugar com um pouco de timidez, clareando as bordas das cortinas escuras.- Aqui estou, para que lhe possa responder.
  No entanto, era maravilhoso demais para ser verdade. Estranhou não só o jeito de falar do anjo, como a energia que este emanava, pesada e densa demais para uma presença celestial. “Que raio de anjo “bombado” é esse?”, indagou-se, ficando em silêncio por alguns instantes, a fitar seu visitante com toda a atenção, de baixo para cima, de cima para baixo...Não cometeria tamanha descortesia com um anjo verdadeiro, diante do qual não haveria imposição para reconhecer sua Divindade. O que estava ali parecia querer forçá-lo a se ajoelhar aos seus pés...
- Vim atendendo o seu chamado. Não vai me perguntar nada? Ou me chamou apenas por vaidade humana, para testar seu poder de evocação?
- A pressa não é uma virtude angélica. Você é um impostor.
- Quem é você para me julgar? Não passa de um humano.- Por debaixo da túnica branca, começou a se esgueirar uma cauda escamosa e agitada, que a criatura tentava ocultar, sem sucesso, pois esta se sacudia e pedia para aparecer.
- Menosprezando a Inteligência e a Divindade alheia...Mais uma prova que você não é um anjo. A menos que seja um caído. Onde estão as suas asas? Só estou vendo um rabo sujo.
-  Você escolheu o pior caminho...- Foi nessa hora que Marco viu o mundo desaparecer ao seu redor, substituído por um fundo sem cor e sem luz; de repente, só restou ele, para si mesmo...
  “Mas que loucura é essa?”, uma explosão sem som; uma dor sem presença...
  Quando menos esperava, sentiu suas pernas aumentarem de tamanho, idem seus braços, esticados sem parar, até chegar a dor de estar sendo puxado; mal teve oportunidade de gritar quando os dentes de sua boca balançaram, as gengivas se abriram, e veio a sensação de um ferro quente passando por sua coluna vertebral e por suas articulações; o calor vinha de dentro para fora...
  Viu pessoas pegando fogo, ao ar livre, mas como se tivessem entrado em um forno micro-ondas, e correndo para afogar o desespero, sem no entanto alcançarem a salvação: o tronco incinerado e apenas pedaços de cotovelos e joelhos a salvo. Compreendeu que isso podia acontecer com ele: fenômenos de combustão espontânea provocados pelo descontrole da kundalini.
  Quando achou que não podia mais suportar as imagens e aquele calor, que nada era pior que o fogo, um frio polar tomou conta de suas juntas, seus ossos começaram a balançar, seu olho direito derramou; ficou com medo de ficar torto ou deformado...Foi aí que viu o vaso sanguíneo de um cérebro estourando, e pessoas que tentaram prematuramente despertar a kundalini vítimas de derrames, passando o resto da vida tetraplégicas ou, pior, perdendo a vida...
  Soube, por explicações que não pôde definir de onde vinham, mas que eram precisas e certeiras, quiçá de seu Eu Superior ou de algum mestre tentando se comunicar desesperadamente, que o que lhe aparecera e tentava lhe infundir terror era seu demônio pessoal, seu eu inferior, o demônio da perdição, o guardião do umbral, contraparte degradada do anjo da guarda. Belo como um espírito celestial! Mas bastava devassar com atenção o que era sua essência, não o que mostrava, para enxergar um humanoide deformado, com uma cauda de serpente saindo da base da coluna, cuja energia permanecia estática, e grandes chifres hostis para afastar o chakra coronário e tentar furar a Luz, embora fosse impossível.
  “Na mesma medida em que o anjo da guarda protege e ata, une o homem a Deus, o demônio da perdição, ou guardião do umbral, desagrega o existente e separa o ser humano da sua razão de ser, que é a fusão com o Cosmo. O Eu Superior é o verdadeiro Espírito, que nunca despencou nos níveis mais densos, eternamente íntegro; o eu inferior é a junção caótica das várias partes que caíram nos planos inferiores, os pedaços de cada ato cruel, as migalhas de cada pensamento sórdido, e foram abandonadas, esquecidas ou reprimidas, não transcendidas. O demônio da perdição, ou eu inferior, como prefira chamá-lo, não irá deixar de existir enquanto você não se unir definitivamente ao seu Eu Superior. Enquanto não realizar isso, o demônio crescerá em poder e vontade na mesma medida que você, que por isso deverá sempre redobrar seus esforços. Quando chegar o dia da vitória, ele irá explodir de uma vez só, pois não tem controle sobre o que é incontrolável, a água escapa de seus dedos, o ar não pode ser agarrado...”
  Contudo, sentia-se ainda numa sala cheia de serpentes venenosas. Podia até ouvir seus sibilos, o que durou mais alguns minutos, enquanto permanecia imóvel.
  Ao retornar ao mundo, à sua sala, de frente para o seu sofá, onde continuava de pé, não havia mais ninguém. No entanto, não houve possibilidade de comemoração ou alívio, pois sentiu uma dor tremenda com o estouro de sua coluna: pelo que parecia, o líquido da kundalini queimara um de seus ossos e agora desestabilizava todo o resto de sua estrutura. Pôde ver suas vértebras partidas, a despencar umas sobre as outras, e por fim a substância escaldante e gelada abandonar sua cabeça e a base de sua coluna para se dirigir desordenadamente para diversas partes de seu corpo. Seu tormento o envolveu de maneira tal que não havia nenhuma escapatória: portas fechadas, janelas quebradas dirigidas para o abismo e corredores sem muros, num labirinto que se estendia para os céus; só que ele não podia voar.


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A Chave da Harmonia - Comentário do autor

  A Chave da Harmonia é o ponto de equilíbrio da existência, porém um centro não localizado em um espaço delimitado, e sim na consciência, compreendendo-a como um todo. 

   Como o subtítulo da primeira parte do livro enuncia, a ordem está rachada, e as fendas no quadro impreciso da nossa realidade aparente formam os corredores tortuosos de um labirinto. Este não é o tipo de labirinto que de uma entrada conduz a um centro nuclear, com apenas um problema evidente a resolver (um minotauro), nem o que apresenta uma única entrada e uma só saída: é uma construção de múltiplas entradas e saídas.

   O leitor pode entrar pela porta da pura fantasia, fundamentada no diálogo com o Mito; há outra porta, que é a da espiritualidade, visto que o fundo da obra são conceitos alquímicos e teológicos; e temos uma terceira, a da investigação do psiquismo humano a partir dos personagens, Eluen no espelho, Odin e seus conflitos internos, longe de ser um herói pronto e perfeito, a relação de Ymun com o poder, além de outras faces e aspectos possíveis. Na saída, o que começou pela via da imaginação pode seguir pelos corredores dela ou se retirar pela porta do espiritual; e de forma similar se dão as demais combinações.

   A estrutura do romance é propositadamente não-linear. Cabe ao leitor, assim como aos personagens envolvidos no “jogo”, podendo ser bem-sucedidos ou não, encontrar a chave da harmonia que lhes permitirá a resolução do enigma e a compreensão do labirinto.



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O Elo - Trecho de batalha



  O momento de maior desespero e risco em toda a campanha ocorreu na nona batalha; Lohengrin não podia acudir, pois combatia em outro front; e um erro de cálculo cometido por Erik prejudicara a distribuição das tropas.
- Venham, covardes!
  O próprio se encontrava na borda de um penhasco, sem capacete e sem cavalo, atacado por um grupo de aproximadamente dez jotuns. Machadadas e marteladas vinham de todas as direções e a velocidade das esquivas não permitia apenas modestos contra-ataques: de vez em quando uma espadada de Erik mutilava algum jotun ou deixava em pedaços a arma que o gigante portava; mas era muito pouco para a quantidade de inimigos.
- Idiotas! Não recuem!- Engasgou-se de raiva o líder dos jotuns.- Se ele ficar encurralado não terá qualquer chance! Encurralem-no! O que é um humano em comparação com um jotun além de um rato indefeso?
  Mas a ordem não adiantou. Aqueles gigantes, por incrível que pareça, tremeram perante um ser de porte muito menor, mas que naquela hora crescia constantemente aos seus olhos pelo olhar raivoso e esbugalhado e os músculos contraídos, suarentos e inchados, expostos devido ao despedaçamento parcial da armadura.
- Vão, idiotas! Se vocês não forem, eu irei esmagar esse rato pessoalmente!
  Mas nem o jotun líder nem os subordinados avançaram mais. Imóveis, receberam em cheio a nova investida de Erik, que, empunhando sua espada com ferocidade renovada, cortou os braços e as cabeças de mais alguns.
- Por que hesitam?! Ataquem juntos e ele não terá nenhuma chance! Os humanos são como os ratos: avançam quando os outros estão com nojo, mas se encolhem diante do primeiro ataque decente! Basta que um sapo passe para que as moscas se escondam; coragem!
  Aquele não era o Erik comandante de tropas e amigo de Lohengrin. Nem mesmo o Erik gladiador. Era o Erik selvagem, sem qualquer traço de humanidade: o primata primordial dos abismos do tempo, de quando o indivíduo humano sequer sonhava existir. A luta numericamente desigual com os jotuns havia despertado em seu cérebro o impulso da pura violência, da destruição que de tão extrema chega a criar, pois o sangue dos adversários desenhava no gelo surpreendentes pinturas em vermelho sobre o branco; do mesmo modo, os que caíam no penhasco despencavam para o oblívio.
  Erik não lutava movido pelo ódio: sentia raiva do mundo, mas não era essa a sua força motriz. Entendia era que, destruindo Mammon e tudo o que o Império simbolizasse, estaria impedindo o sofrimento de muita gente e evitando que alguém viesse a viver de um modo tão amargurado quanto o seu. Não queria compartilhar suas lágrimas, mas evitar que os outros derramassem mais lágrimas. Mesmo quando exterminava seus adversários, entendia que estava fazendo justiça. No fundo, bem na sombra do relâmpago, tratava-se de uma alma altruísta, que deixava a si mesmo em segundo ou terceiro plano para fazer os outros felizes...Ou tentar fazer os outros menos infelizes.
  Contudo, observado com superficialidade, no campo de batalha mais parecia um demônio infernal, uma besta assassina, que abatia seus inimigos movido pelo ódio que sentia e exalava, fazendo o ar ficar com cheiro de queimado. Sentiu ódio do restante das tropas por abandoná-lo; ódio dos jotuns pela destruição causada em sua terra natal por pura ganância; ódio de sua mãe, algo que não sentia havia muito tempo, por querer libertar Midgar para exercer algum poder e não por amar aquela terra (talvez estivesse exagerando em seu julgamento); ódio de Angelos por ter adotado o cainismo, a religião do Império; só não sentiu ódio de Lohengrin. A um certo ponto, deixou de sentir qualquer coisa e se limitou a lutar, arranhar, morder e matar. Ainda que não fosse um gênio na estratégia como Lohengrin, era o relâmpago que a nuvem de seu amigo e líder necessitava.
  O resultado de dez minutos ininterruptos de luta foi a morte de nove sobre dez jotuns. O único sobrevivente acabou sendo o líder: o orgulhoso Skrymir, de quase quatro metros de altura e espessos cabelos e barba ruivos, que fazia questão de chamar todos os humanos de ratos e adorava quebrar nozes com o dedo mindinho, antes de devorá-las.
  Skrymir, ainda com pedaços de nozes mastigados entre os dentes, correu na direção de Erik e tentou obter vantagem ao aplicar toda a sua força física, desferindo-lhe uma violenta martelada, capaz de estourar o dorso de um rinoceronte. Entretanto, no segundo exato, o comandante mercenário se esquivou e girou para acertar uma espadada nas costas do oponente, que foi ao chão.
- Rato persistente!- O jotun urrou, estrangulado pelo ímpeto da batalha, e ergueu-se no ato.- Pois saiba que os golpes dos humanos não doem em mim mais do que nozes caindo no cocuruto!
- (Esse é diferente; fez a esquiva da minha esquiva. Se não tivesse feito nada, teria acertado o quadril ao invés do meio das costas).
  A batalha prosseguiu e continuou virulenta, com intensas trocas de golpes de espada e martelo.
- Renda-se! Ajoelhe-se diante de mim, humano!- Skrymir tentava tirar a concentração do outro enquanto lutavam.- Mas não pense que o pouparei por isso! Adoro rechear com nozes os ratos que caço e comê-los defumados.
  Erik parecia tão compenetrado que não escutava mais nada.
- Nunca conseguirá perfurar a minha armadura! Além de aço, ela está reforçada com as cascas das nozes de Jotunheim, que são dez vezes mais duras e pesadas do que as de Midgar!
  Quem acabou se desconcentrando foi Skrymir, que, ao sentir que as provocações não davam resultado, se enfureceu e deixou a guarda desguarnecida. Em se tratando de uma luta com Erik Donar, um deslize fatal: o comandante mercenário perfurou-lhe uma das pernas e, assim que o inimigo começou a desabar, decepou-lhe a cabeça.
  Mas pensar que tudo havia terminado foi só uma doce ilusão:
- Vamos vingar Skrymir!
  Escutou quando menos esperava o som da trompa dos jotuns, naquele momento sentido como algo distorcido, tortuoso, diabólico. Desabado o líder, viu outra dezena de jotuns vindo em sua direção. Para não entrar em pânico, tornou a lutar.
  Sem pensar em nada, a cada golpe mais ofegante, avistou de longe Buck sorrindo na sua direção, parado em seu cavalo, com a espada em punho e um machado pendurado na sela.
- Buck!
  Em volta, centenas de cadáveres. Mais ninguém, além de Buck, Erik e dos dez jotuns que o combatiam, sobrevivera nas redondezas.
  Buck sorriu mais um pouco. E, de repente, virou as costas e foi embora...
- Ei! Aonde você vai, seu filho da puta?!
  Um jotun acertou Erik no estômago com um martelo.
- Pelo jeito o seu amigo desistiu de você!
  As pernas de Erik fraquejaram. Ele se sentiu desistindo. E teria renunciado à vida, sucumbindo ao bombardeio de golpes, se um machado não tivesse girado veloz, rasgado o ar e decepado a cabeça de um dos jotuns.
  Erik se segurou para não cair no abismo; Buck desembainhou a espada e se meteu no seio dos inimigos, como um lobo faminto num rebanho desguarnecido de ovelhas gordas...



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Trailers - "Eu" e "O Elo"


Eu
Autores: Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr


O Elo
video

Autores: Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr


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O que é a Trissência?



(Ilustração por Valerio Oddis Jr)


  Em nossa série, a Fonte de todas as coisas, ou Deus, como costumamos chamá-la, a matriz da Criação, passa do uno ao trino para se manifestar.

  São três Princípios: o Poder, a Sabedoria e a Prosperidade, que, em nossas sagas, são ancorados em três personagens (os Guardiões), que evoluem durante suas trajetórias até se tornarem como deuses ou deusas, manifestando poderes e capacidades inimagináveis.

  O Poder é o ímpeto e a ação, a força da Criação, a chave motriz que permite à existência assumir uma forma. A manifestação que faz com que os objetivos perdurem pelas raízes e pelos moldes firmes e duradouros.

  Quanto à Sabedoria, não se deve confundi-la com a astúcia, tratando-se de uma qualidade cósmica e não humana, estabelecendo as leis do universo por meio da observação e de uma inteligência e de uma sensatez superiores. Ela se manifesta para trazer a iluminação e a evolução do espírito.

  A Prosperidade é o ventre da criação, transforma, multiplica e dinamiza, trazendo a fertilidade e a estabilidade. O equilíbrio de um sistema complexo. É o que faz com que exista mais de um ser vivo para cada espécie, e cada qual único e especial, mesmo sendo todos filhos de uma mesma Fonte e irmanados pela centelha interna que os liga a Esta. 

  Guardiões são seres específicos em uma era e em um universo capazes de canalizar cada qual um aspecto da essência trina.

  Costumam ser auxiliados pelos Elementores, os que conduzem da forma mais pura a energia dos elementos da natureza (terra, água, ar, fogo, luz e sombras), ou seja, os “mentores dos elementos”.


  Cronologia da série:

  Em O Elo, de Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr, vemos um universo anterior ao nosso, com algumas similaridades.

  Em Eu, de Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr, há o início da vida e da humanidade na Terra, passando pelos kadmons e lemurianos, com um apêndice explicativo a respeito de espécies inteligentes que aparecem no decorrer da série.

  Em A Chave da Harmonia, de Marcello Salvaggio, é abordada a era dos lomais, gárgulas, gnomos, duendes e elfos.

  Em Kalki, de Marcello Salvaggio, a ação principal se passa na Terra dos dias de hoje, espalhando-se pela (s) vida (s) de um homem do nosso tempo que busca compreender seu verdadeiro Ser.

  E em O Fim... há o futuro da Trissência, com, após a queda do Império que dominou o sistema solar, um governo ditatorial na Terra buscando aparentemente reconquistar os demais planetas. No mesmo período, surgem organizações rebeldes em Marte, Vênus e Mercúrio.

  A trama de O Fim... tem início por volta de 3630 d.C, sua continuidade em torno de 3660, sendo entre as obras do universo da Trissência a cronologicamente mais distante no futuro.

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Falas marcantes – O Elo


  Em O Elo, os personagens de destaque possuem falas marcantes, que delineiam suas personalidades iniciais. Vejamos algumas:

  Erik: “De que adianta desejar ser como os outros? Os sofrimentos são diferentes, mas o sofrimento é indiferente. Por que nasci como Erik? Por que não nasci na casa do vizinho? Quando me perguntava essas coisas sentia calafrios, na aurora da sensação de ser eu mesmo.”

  Judas: “Diria que o grande erudito é como um diamante, pois tende a ser raro e possui um brilho extraordinário; e um diamante costuma ser muito mais valorizado do que uma semente. Mas os sábios são como as sementes; por acaso já viu algum diamante se tornar uma árvore cheia de galhos, folhas e frutos? Para a natureza, a árvore é mais importante do que qualquer joia.”

  Aido: “Se a figueira debaixo da qual eu nasci nunca tivesse existido, eu teria nascido? Bem que o mundo é uma grinalda de flores, de mútuos originamentos e múltiplas transformações, na qual o perfume de um é o de todos e o perfume de todos é o de um! A vida é como a rede de um gigante pescador, na qual todos estamos pescados, queiramos ou não. Uma árvore cujos ramos, alguns mais secos, outros repletos de folhas ou floridos ou frutificando, difundem-se em cores e equilíbrio. Nós não somos toda a árvore ramificada: somos somente um de seus galhos. Não somos a grinalda, mas uma pétala. Não somos todos os peixes da rede e sim apenas um deles. Contudo, basta que quebremos um galho para impedir que uma nova folha ou um novo fruto, extremamente doce, nasçam; basta que tiremos uma pétala para que a grinalda perca a sua harmonia e uma parcela, ainda que mínima, do perfume; basta que devoremos algum outro peixe para que o sangue respingue e emporcalhe a rede. Qual é o melhor? O gelo? A neve? A água? O vapor? Num dia podem estar separados; mas no outro já estão todos juntos, escorrendo no mesmo regato, no mesmo vale...”

  Li Er: “Em nome da justiça, aqueles que ficam sem pais deixam esposas viúvas. Cujos maridos são, por sua vez, exploradores de inocentes, mas não deixam de ser, apesar de tudo, pais de família e seres humanos.”

  Benten: “A racionalidade não é um prêmio, mas o maior obstáculo para o entendimento do mundo. A missão do ser humano é justamente transcender a racionalidade.”

  Por fim, o enigmático vidente cego Tirésias, começando por seu diálogo com a sacerdotisa de Himavat no início do livro:

-  Continua nas sombras, meu velho amigo?
-  As sombras nunca me perturbaram, minha senhora. Mas também nunca me acompanharam...

  Seguem outras falas:

  “Não há um só destino. Há milhares deles. Mas o decorrer de cada um é incontrolável depois da decisão inicial. Você pode escolher em qual rio quer nadar ao escolher a nascente. Mas uma vez escolhida a nascente, o rio é aquele. E não pode fazer as águas escorrerem diferentemente do seu curso natural.”

  “Os seres humanos, na imensa maioria, não percebem que todos os mundos estão dispostos no infinito, e não em linha. Ao mesmo tempo, no entanto, que a falta de linearidade os perturba, não querem aceitar que tudo seja uma rede, um só cosmo. É o paradoxo: viver em pequenos pontos isolados, como se um ponto conhecesse confins! A matéria existente no cosmo inteiro é sempre a mesma, esteja ela em possibilidade, na fonte, ou em realização, em algum universo. No ciclo da vida neste mundo, os átomos que nos formam já pertenceram a corpos de animais, plantas ou minerais. Cada partícula que compõe nossa existência física contém a totalidade das informações da existência, tem uma história e uma memória que remontam a bilhões de anos, a todo o passado do cosmo, crescendo incessantemente no conteúdo. E, mesmo após a morte de um corpo físico, continua com as informações do "eu" desse corpo, além da História inteira memorizada. Seu pai está em você, assim como o planeta e a galáxia.”

  “Vejo as possibilidades e probabilidades. Tudo é possibilidade. O próprio universo era só ondas de possibilidade até que Deus se desse conta dele, o observasse e as ondas de possibilidade se transformassem portanto em ondas de ato; não há ato nem ação sem o observador adequado.”

  “Nenhum vidente tem intenção de falar complicado. A profecia simplesmente segue a linguagem da vida, que é feita de choques e paradoxos, não a linearidade inerente à linguagem verbal.”

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Prefácio - O Elo


Por Valerio Oddis Jr:

   Nasci em São Paulo. Sou filho de pai italiano e mãe descendente de húngaros, separados desde a minha infância.
   Também fui aluno da Escola Italiana Eugenio Montale, mas nunca conseguia prestar atenção na aula. Brincava com os colegas e especialmente fazia as pessoas rirem. Com todos sempre muito rígidos, minha imaginação ia além dos horizontes; qualquer coisa era motivo de graça. Uma de minhas principais invenções era encher a mão com chumaços de pêlos das roupas, soprá-los pelo ar e fazer com que caíssem nas cabeças das pessoas ou ao lado delas sem que percebessem. Não perdoei nem a diretora!
   Pintar nas borrachas rostos e feições estranhas, deixá-las na frente da carteira para que o professor também as visse, colocar ímãs dentro de um bolinho, desenhar nele um rosto sorrindo e fazê-lo rodar na mesa...O pior de tudo é que nos sentávamos bem na frente do professor.
   Enfim, quando repeti o segundo ano do ensino médio por notas baixas, mesmo indo a uma professora particular, que sempre me ajudou muito e teve paciência, decidi mudar de escola e fui para outra, onde não imaginava encontrar tanta bagunça. Porém uma bagunça insana e muitas vezes até perigosa. A escola ficava cercada de câmeras e mesmo assim nada funcionava.
   Bom, terminado o inferno na terra, foi com grande entusiasmo que resolvi prestar exame para a aeronáutica. Uma prova feita para mais de duzentas mil pessoas e que me levaria a Agulhas Negras. Sempre gostei de pilotagem e principalmente de voar...Enfim, nada feito. A bendita matemática e seus cálculos não me ajudaram muito.
   Mais tarde, enquanto trabalhava junto a meu pai, em sua fábrica de automação em São Bernardo do Campo, ele preferia que eu estudasse próximo do serviço. Foi quando entrei no curso de psicologia da Universidade Metodista de São Paulo. Um curso que eu imaginava que iria expandir meus horizontes por meio da ciência da psique humana e me tornar um dia um psicólogo; coisa que meu pai sempre detestou. De qualquer forma, não quis continuar, pois percebi que minha vocação dizia respeito às artes.
  Não tinha paciência para ficar compenetrado em um assunto que não permitisse minha liberdade interior de criar ou imaginar. Nunca fui afeito a números, leis ou regras, embora goste de física. Não, não entrei em uma faculdade de física, mas na época prestei outro processo seletivo para a área de humanas. Minha primeira opção foi Audiovisual, então um curso novo na Metodista e de poucas vagas; a segunda opção era Publicidade e Propaganda.
   Entrei em Propaganda e até gostei do curso, pois agregava psicologia e arte, porém o mundo do business e do mercado acelerado desgasta um pouco as pessoas e isso com o passar do tempo foi me cansando, pois precisava criar mensagens com o intuito de vender o produto e atingir a mente do consumidor. Nada mais do que uma forma de hipnotismo coletivo e muitas vezes através do emprego de mensagens subliminares, hoje proibidas pela autorregulamentação do CONAR (conselho nacional de autorregulamentação publicitária).
   O mundo anda corroído pela poluição visual e pelo estresse. Propagandas de tudo o que é tipo de coisa!
   Do modo como está, o barco fica a cada instante mais carregado e um dia a nossa rota não será mais em terra firme e sim rumo às profundezas.
   Ainda quero fazer Audiovisual ou uma pós. Mas hoje percebo que a minha verdadeira profissão começou aos catorze anos de idade, enquanto rabiscava em papéis esboços do que seriam ideias de aventuras de RPG e histórias engraçadas, com personagens cômicos ou surreais. Gostava muito de escutar música e de imaginar a partir delas algo além do tangível deste mundo, ainda que sempre fazendo uma relação com ele.
   Na época tive a ideia de enviar uma proposta para uma grande produtora de games, mas com o passar do tempo os conceitos foram amadurecendo e a história ganhou proporções maiores.
   Nós somos o que fazemos e, no entanto, demoramos a enxergar isso.
   Só os cegos viram o maior triunfo do mundo e do ser humano: o amor pela vida. Agradeço pela paciência e pela atenção, sejam elas como forem, de todos os que me ajudaram e me ajudam. Agora realmente me sinto realizado ao concluir, junto com um verdadeiro amigo, esta obra entre outras que virão.
   Dedico este livro à humanidade, desejando um novo horizonte, e deixo meus abraços àqueles que amo e que me apoiaram.
   Vocês são a minha família, pois são quem amo e pelos quais me sinto amado.



Por Marcello Salvaggio:

   Começamos a elaborar as primeiras ideias desta obra quando, ainda sem colocar nada no papel, tínhamos entre treze e catorze anos. O primeiro esboço, com alguns desenhos, foi para criar um jogo de RPG, porém aos poucos, com o hábito que tínhamos de criar histórias (basicamente fantásticas e de terror) ao telefone (!), a trama do jogo foi tomando proporções que transcenderam em muito a distração inicial.
   Passou-se algum tempo e um colega nosso nos perguntou por que não escrevíamos um livro, já que tínhamos tantas ideias e disposição de sobra. E foi assim que os cadernos começaram a receber as primeiras canetadas, já com um esqueleto da história pronto, mas ainda sem um desenvolvimento, com anotações dispersas reunidas em alguns encontros e principalmente durante as conversas telefônicas (revezávamos quem ligava para quem, mas, mesmo assim, haja conta para os nossos pais!).
   Na concepção da obra, os três Guardiões, ligados à Sabedoria, ao Poder e à Prosperidade (partes da Trissência, a Divindade una e trina que rege o universo desta série), representam um conceito místico, pois são ao mesmo tempo humanos e divinos, e três formas distintas de realização do ser humano.
   Aliás, a propósito de realização, não teria conseguido concluir esta obra sem o apoio dos seguintes familiares: minha mãe, meus falecidos pai e avó, meus tios Teresa, Aldo, Elio e Maria. Sem me esquecer dos amigos que de uma forma ou de outra contribuíram de maneira mais próxima em minha trajetória de vida e consequentemente com a elaboração desta obra: Regina de Luca, Anna Maria das Neves, Valéria Bittencourt, José Oswaldo Santana Júnior, Dolores Mehnert, Giulianna Seabra, Lilian Alexandra Jóia, Cibele Brumatti, Enrico Ferri, que foi quem deu a sugestão do livro ainda em nossa adolescência, e, como é óbvio, meu companheiro de empreitada, Valerio Oddis Jr. Deixo a todos os meus sinceros agradecimentos.





A Profecia Universal


  A Profecia Universal é um “livro dentro dos livros”, seus trechos presentes em algumas das obras da série da Trissência. No contexto de nossas sagas, trata-se de um livro de Sabedoria, que explica, por meio de uma linguagem mística, simbólica, os três Princípios que dão origem à vida. Apresentamos aqui algumas passagens:


  O conhecimento é comparável a uma bolha em crescimento, com o ar em seu interior representando o que se sabe e sua superfície o contato com o que ainda é desconhecido, que pode ser englobado a seguir ou, caso a bolha estoure, perdido até que se forme outra.- de A Profecia Universal; capítulo I: Sabedoria.
  
  A Presença persiste no sono mineral, na vigília vegetal e animal e no sonho humano.- de A Profecia Universal, capítulo II: Prosperidade.



  A maior pusilanimidade do ser humano é negar as escolhas de seu peito e viver apenas pela razão.- do capítulo II de A Profecia Universal: Prosperidade.



  Assim como uma serpente deixa sua pele na época da muda, da mesma forma o sol, pela manhã, descasca a noite para lançar seus embriões luminosos à terra.- de A Profecia Universal; capítulo II: Prosperidade.

  A bravura é um sonho até quando o efeito colateral pesar sobre suas costas, dependendo da onda de choque gerada.- do capítulo III de A Profecia Universal: Poder.



  Tristes são aqueles que não reconhecem sua própria grandeza, tentando conseguir coisas grandes e riquezas para encontrá-la. Você é o que É, independentemente do que tem e de onde estiver.- do capítulo III de A Profecia Universal: Poder.


  A luz dança com seus raios que se estendem e giram sem cessar, a receber, conduzir e reunir o que vem de cima e o que vem de baixo, e a abraçar, cruzar e enviar além o que sai das pontas inacessíveis, sem se esquecer que a escuridão lhe encaminha poeira bruta e informe, a matéria prima para que molde cristais preciosos, cada um distinto do outro no brilho e na aparência e todos de igual modo necessários. O carvão puxa, mói, desagrega e solta; o diamante junta, lapida, reluz e expande; o ouro do nascimento manifesta seu maior esplendor na noite da morte.- do capítulo IV de A Profecia Universal: Interdependência.


  Se o rei resplandecente não exibe sua sombra, é preciso ao menos imaginá-la, pois ela pode ser tão densa, profunda e visceral que se entranhou dentro dele, tornando-se imperceptível para os sentidos comuns.- Do capítulo V de A Profecia Universal: Imaginação.

  Estendido na praia, o dragão vermelho, de asas azuis, fitava o mar. Quando as ondas se ergueram e se abriram, viu uma chave, mas elas logo desceram e se fecharam novamente sobre esta.- de A Profecia Universal, capítulo VI: Harmonia.




Autores: Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr

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Eu



(Arte por Valerio Oddis Jr)


  Obra: Eu

  Autores: Marcello Salvaggio e Valerio Oddis Jr.

  Sinopse: A Terra e seus habitantes sofrem visitas e interferências que alteram o curso de sua Evolução; contudo, talvez isso faça parte do ciclo natural do planeta, que não está nem nunca esteve isolado de nada do que ocorre no resto do universo...
  Este livro é uma peça de considerável importância no quebra-cabeças da série da Trissência. Nele é descrita, durante a era dos dinossauros e até mesmo antes, a chegada de seres de outros mundos, que com sua inteligência e tecnologia passam a moldar a vida. Surgem e são estimuladas no curso da trama, pelos personagens e pela própria cultura extraterrestre apresentada, questões e reflexões a respeito da imortalidade, da inteligência artificial, das capacidades paranormais e da vida após a morte.
  Num segundo momento, é narrada uma história na Lemúria, com destaque para suas práticas de xamanismo.
  Também há um apêndice, com os dados de algumas das criaturas imaginárias que aparecerão no decorrer da série.

  Seguem trechos do livro:

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Kalki

 

  Obra: Kalki

  Autor: Marcello Salvaggio 

  Sinopse: Na tradição hindu, Kalki é considerado o avatar que dará um fim à Kali Yuga, o período das trevas, e estabelecerá uma nova era. Mas o que Kalki poderá fazer pelo indivíduo? Quiçá ele não venha como uma máscara, e sim como um movimento. 
  Neste livro, que se encaixa dentro da saga da Trissência, anterior a O Fim... , a ação principal transcorre na Terra dos dias de hoje, espalhando-se pela (s) vida (s) de um homem do nosso tempo que busca compreender seu verdadeiro Ser.
  Os ciclos de criação, preservação e transformação se manifestam aqui portanto na existência de uma única pessoa, discutindo tanto temas ligados ao ocultismo, como a projeção astral e vidas passadas, quanto questões sociais e éticas, abordando as consequências de certas decisões e atitudes humanas.
 
  O prólogo e parte do primeiro capítulo deste livro estão disponíveis no Recanto das Letras:

http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/5233242

  O livro, publicado pela editora Livros Ilimitados, pode ser comprado com o autor (marsalvaggio@gmail.com) ou no site da editora:

http://livrosilimitados.com/kalki.html

Os sahajas


(Arte por Valerio Oddis Jr)


Eis os sahajas, os amuletos que canalizam as forças primordiais da Criação na saga da Trissência





O sahaja da Sabedoria usado por Sofia Simurg





O sahaja da Prosperidade usado por Aido





E o sahaja do Poder de Erik Donar